O recém-nascido dado como morto na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, não resistiu e morreu por volta das 23h15 de domingo (26)
Recém-nascido de cinco meses de gestação chegou a apresentar sinais vitais após 12 horas dentro de um caixão, caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público
O recém-nascido dado como morto na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, não resistiu e morreu por volta das 23h15 de domingo (26). O bebê, de apenas cinco meses de gestação, havia sido retirado do próprio velório no sábado (25), depois que familiares perceberam que ele ainda respirava dentro do caixão.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Acre (Sesacre), o bebê morreu em decorrência de choque séptico e sepse neonatal, uma infecção generalizada que provocou falência múltipla dos órgãos. Segundo o órgão, todos os cuidados possíveis foram prestados, mas o quadro de prematuridade extrema reduziu drasticamente as chances de sobrevivência.
Todos os esforços possíveis foram realizados para garantir o melhor cuidado e suporte durante todo o período de internação, informou a Sesacre, em nota assinada pelo secretário Pedro Pascoal Duarte Pinheiro Zambon e pela diretora da maternidade, Simone da Silva Prado.
Equipe afastada e investigações abertas
A Sesacre confirmou que a equipe médica responsável pelo atendimento inicial foi afastada temporariamente. A medida busca garantir a lisura da apuração. Além disso, o caso é investigado pela Polícia Civil do Acre e pelo Ministério Público Estadual (MP-AC). O Conselho Regional de Medicina (CRM-AC) também abriu procedimento para apurar eventuais falhas durante o atendimento.
Segundo o comunicado oficial, a transferência do bebê para outra unidade de saúde não chegou a ser cogitada, pois o transporte poderia agravar o quadro clínico.
Devido à prematuridade extrema do bebê, a transferência para outra unidade não chegou a ser cogitada pela equipe médica, diante do alto risco de agravamento do quadro, diz a nota.
Entenda o caso
O bebê nasceu na sexta-feira (24), após a mãe uma mulher de Pauini (AM) apresentar sangramento intenso e ser induzida ao parto na maternidade em Rio Branco. Segundo o laudo inicial, a causa da morte foi hipóxia intrauterina, condição em que o feto não recebe oxigênio suficiente durante a gestação.
O corpo foi liberado e encaminhado para velório, mas, cerca de 12 horas depois, familiares ouviram o bebê chorar dentro do caixão. O recém-nascido ainda estava dentro de um saco funerário. Em choque, os parentes retiraram a criança e a levaram novamente à maternidade, onde foi internada na UTI Neonatal.
A médica pediatra Mariana Collodetti, que estava de plantão no sábado, atendeu o bebê por volta das 10h e relatou que ele estava em estado grave de prematuridade. Segundo a profissional, os protocolos de reanimação foram seguidos pela equipe multiprofissional.
Quadro crítico e morte confirmada
Mesmo com suporte intensivo e uso de aparelhos respiratórios, o bebê não resistiu às complicações. Conforme o boletim médico, a infecção se espalhou rapidamente, provocando falência múltipla dos órgãos. O óbito foi confirmado às 23h15 de domingo (26), na própria maternidade onde havia nascido.
A Sesacre e a equipe da maternidade lamentam profundamente o desfecho e reafirmam o compromisso de redobrar o olhar e aprimorar, a cada dia, o cuidado e a atenção humanizada à vida, finaliza o comunicado.
Repercussão e comoção
O caso gerou comoção nacional e forte repercussão nas redes sociais. Internautas e familiares pedem respostas sobre possíveis falhas médicas e cobram transparência na investigação. Vídeos gravados durante o velório mostram o momento em que o bebê, inicialmente dado como morto, move o corpo e emite sons, o que levou os familiares ao desespero.
O que acontece agora
A Polícia Civil colhe depoimentos de médicos, enfermeiros e funcionários envolvidos no atendimento. O objetivo é determinar se houve negligência ou erro no diagnóstico de morte. O Ministério Público do Acre também acompanha o caso e deve instaurar um inquérito civil paralelo para garantir transparência.
Enquanto isso, a família, que permanece em Rio Branco, aguarda a conclusão do laudo pericial e cobra respostas sobre o atendimento prestado.
