Sem demarcações, a mobilidade na rodovia federal se transformou em uma pista única, com caminhões, carros e motocicletas disputando lugar em uma mesma faixa escura
Motoristas que precisam transitar diariamente pela BR 116, no trecho entre Canoas e Porto Alegre ou no sentido Capital-Interior, entre Canoas e Esteio, especialmente no início da manhã e final da tarde, quando o movimento se intensifica, tem sido um verdadeiro martírio.
Depois que a delimitação da rodovia com a avenida Getúlio Vargas (também chamada de pista lateral) desapareceu da pista de rolagem, o caos emergiu entre os motoristas. Sem delimitação de faixas, a mobilidade na rodovia federal se transformou em uma pista única, com caminhões, carros e motocicletas disputando lugar em uma mesma faixa escura.
A ausência de sinalização horizontal, de tachões e a precária iluminação têm colocado em risco a segurança do tráfego também à noite e em dias de chuva. As reclamações têm sido unânimes entre os usuários que sempre reivindicaram por mais fluidez no vai e vem de uma das rotas de tráfego consideradas mais carregadas e também uma das mais importantes da Região Metropolitana.
PISTA SEM DELIMITAÇÃO OU DEMARCAÇÃO CONFUSA
A empresária Deise Camargo, que mora em São Leopoldo na divisa com Portão e segue diariamente para Eldorado do Sul, onde mantém uma construtora, diz que sem a demarcação de pista, os motoristas não respeitam o espaço que transitam.
“Está horrível de passar no trecho de Canoas. Não sabemos se estamos na pista certa, porque não tem nada que delimite nosso espaço. O motorista tem que adivinhar qual é a marcação. Sem falar no tráfego de caminhão, que é intenso. Além disso, convivemos com a imprudência de motoristas e naquele trecho, isso aumenta muito.”
Deise reclama da falta sinalização, mas também fala da nova sinalização que foi feita em cima da antiga, e confunde o motorista. “Dia de chuva e a noite é ainda mais terrível. Há trechos em que uma marcação foi feita sobre a outra e você não sabe qual é a original.”
Para a empresária que depende diariamente da rodovia e já ficou presa em congestionamentos por mais de uma vez, deveria haver mais investimento em gestão de trânsito, especialmente na BR, que é tão importante para mobilidade de milhares de trabalhadores e rota do desenvolvimento da região.
“Gestão de trânsito, fiscalização e segurança.” Para Deise, uma das medidas de planejamento para melhor fluidez seria instituir paradas obrigatórias para caminhões em determinados horários ou ainda criar uma pista, ou um corredor, só para o tráfego de caminhão e ônibus.
FLUXO INTENSO DE CAMINHÕES
A enfermeira Cintia Ilibio Bittencourt, que usa a rodovia dia sim e dia não a caminho de seus plantões, conta que falta de sinalização entre as pistas e também de iluminação dificulta muito a ida e vinda do trabalho. “O fluxo é intenso e pesado desde as 5 horas. Muito caminhão. A falta de pintura entre as pistas deixa ainda mais perigoso, especialmente naquele trecho onde ocorrem as obras. Sem a delimitação e sinalização, a gente fica sem noção de espaço. Não há segurança nenhuma em pegar a pista da direta.”
Elisabeth Sampaio, que trabalha como frentista em um dos postos de gasolina às margens da BR, comenta que depois da implementação da terceira faixa, a rodovia se transformou em uma pista de corrida e sem demarcações no asfalto, a imprudência e a impaciência entre os usuários só têm aumentado. “As pessoas não se respeitam. Os caminhões avançam por cima dos carros e das motos. Motoristas que saem das ruas laterais para ingressar na rodovia, às vezes, aguardam por horas até terem a chance adentrar na via”, conta Elisabeth, que também é motociclista e não tem se sentido segura ao transitar pelo local.
Setcergs alerta para riscos e aumento da insegurança
O Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (Setcergs) também manifesta preocupação com a situação, onde a ausência de faixas de sinalização após as recentes intervenções vem comprometendo a segurança de motoristas e motociclistas. Conforme o Sindicato, a falta de demarcação adequada transforma o tráfego em um cenário de risco permanente, especialmente em uma rodovia de alto fluxo de caminhões.
Do ponto de vista técnico, a visibilidade das faixas de rolamento é essencial para o transporte rodoviário de cargas. Veículos de grande porte exigem distância segura, precisão nas manobras e referências visuais claras para manter o alinhamento e evitar colisões. A ausência de sinalização aumenta a insegurança operacional e o risco de acidentes graves.
A segurança viária é uma diretriz permanente do Setcergs, presente nas ações do Programa de Segurança Viária e incorporada à rotina das empresas de transporte, que priorizam a preservação da vida e a condução responsável. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi procurada e questionada sobre número de acidentes e ações de fiscalização no referido trecho, mas não deu retorno.
COMO SE POSICIONA O DNIT:
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informa que a BR 116 está em obras, tendo sido concluído o trecho entre Porto Alegre e o viaduto sobre a avenida Inconfidência (Metrovel), em Canoas, em quase toda a totalidade. O sentido Capital-Interior, cuja pavimentação está pronta, já está recebendo a sinalização horizontal, a qual inclui os segregadores de tráfego, que farão a delimitação das faixas principais e laterais. A previsão do trecho entre Porto Alegre e o viaduto da avenida Inconfidência (Metrovel), em Canoas, é estar com a sinalização finalizada ainda neste mês de novembro.
OBRAS EM CANOAS
Túnel da Domingos Martins – Começaram em 8 de outubro as obras da passagem inferior que vai ligar a rua Domingos Martins, no km 263 da BR 116, e a avenida Doutor Sezefredo Azambuja Vieira, no bairro Marechal Rondon, em Canoas. A passagem subterrânea prevê comprimento de aproximadamente 262 metros, com via de mão dupla, e vai permitir a ligação das zonas leste e oeste da cidade. O prazo de execução dos serviços é de um ano e o investimento de aproximadamente R$ 32 milhões.
Viaduto da Metrovel – Na altura do km 265 da BR 116, junto ao viaduto da avenida Inconfidência, também chamado viaduto da Metrovel, acontecem as obras de implementação da terceira faixa, que começaram em março. Os recursos para o alargamento das pistas, que vão passar de duas para três faixas de rolamento nos dois sentidos, recebem investimentos de aproximadamente R$ 20 milhões. A previsão de conclusão da obra é para março de 2026 e também estão previstas a instalação de iluminação e divisórias. Os motoristas que trafegam pelo local têm enfrentado congestionamentos e lentidão diária, devido aos estreitamentos de pista.
